quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O melhor da trilha é caminhar por ela?


Muitas cidades tem parques com áreas naturais incrustadas no tecido urbano. Em Natal, o Parque das Dunas busca conciliar a conservação da Mata Atlântica com as atividades limitantes das áreas urbanas.

Nas ruas temos os limites do meio fio, do semáforo, dos muros, da propriedade privada. E ainda o limite do ritmo inquietante, as exigências da velocidade e dos horários a cumprir. Frequentar parques nos conduz à outro ritmo, o do tempo incerto e necessário para percorrer espaços vazios.

O Parque das Dunas está localizado numa posição estratégica em relação à cidade. A entrada, ao final de uma avenida ampla, integra a área de visitação ao urbano. Na área de visitação, pistas amplas conduzem o visitante em meio a vegetação e áreas de convivência. Há o suporte da área de alimentação e de atendimento e orientação ao visitante, que pode cadastrar-se como frequentador regular ou agendar uma "trilha".

A partir das pistas, encontra-se a entrada de três trilhas: Perobinha, Peroba e Ubaia-doce. Cada qual com seus encantos, tendo em comum o incentivo à contemplação e interação com o meio. É um convite aberto à cidade, aos visitantes, aos que passam para ir ao shopping. Peroba e Ubaia-doce revelam a grandeza do Parque, e sua posição entre a concentração da cidade e a vastidão do Oceano. "Muito areia, pra pouco caminhão!" É uma expressão bastante adequada se pensarmos que com pouco esforço, afinal são trilhas com pouco risco, o visitante pode deslumbrar-se com a visão da Via Costeira.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Felicidade Interna Bruta - FIB



A tríade “paz, segurança e felicidade” forma a essência do indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB), criado no Butão em 1972, em rejeição à classificação insípida do PIB (produto Interno Bruto). Surgindo no contexto de um reino considerado pobre a resposta ao ranking do PIB parecia uma pilhéria de um fanfarrão. Mas com a seriedade digna de um rei, Jigme Singya Wangchuck levou-a a ONU e tornou-a célebre.
Com a objetividade das tradições orientais, o Rei expôs suas críticas aos critérios de avaliação do PIB e sugeriu o estudo de uma abordagem alternativa. A ONU abraçou a causa, e desde então o FIB vem sendo pesquisado; desenvolveu-se pelos estudos do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e ganhou notoriedade quando o economista, ganhador do Nobel, Joseph Stiglitz organizou um grupo de economistas e cientistas para a sistematização do modelo.
Descobriu-se o inevitável: gente é gente. Foi comprovado que as pessoas se esforçam mais por felicidade do que por bens tangíveis. A felicidade está relacionada à qualidade de interações sociais, ao sentimento de pertencimento, ao trabalho digno, à saúde, à segurança ... bens intangíveis.

O FIB é composto por nove dimensões:
  • Bem estar psicológico;
  • Saúde;
  • Uso do tempo;
  • Vitalidade comunitária;
  • Educação;
  • Cultura
  • Meio Ambiente;
  • Governança; e 
  • Padrão de vida.

Foto: SBorba, 2010. 
 
Outros Indicadores estão surgindo, mas convém observar que em todos, os critérios clássicos de aferição estão sendo questionados. Algo imprescindível em uma sociedade global e veloz. Os valores e princípios que nos guiavam em nossas peculiaridades societárias, tendem a promover um maior diálogo entre as distintas formas de pertencimento e de interação social. A tendência até agora esboçada é de que a tolerância seja alvo de reflexão.

Os operadores de turismo de aventura são sujeitos da promoção das experiências e do conhecimentos de aspectos culturais que, em algumas situações, precisam ser resgatados. Os operadores podem encontrar, na promoção de atividades que integrem Meio Ambiente e Cultura, alem de outras dimensões do FIB, a estruturação de novas oportunidades de experenciação e convivência.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desafios e caminhos

O maior desafio do ser humano é conhecer a si mesmo. Tarefa hercúlea em virtude da capacidade de adaptação do ser humano. Por meio do contato com agentes externos –  que bem podem ser uma pessoa, uma obra de engenharia ou em efeito climático – o ser humano pode incorporar valores variados por tempo indeterminado. E descartá-los quando houver conveniência. A flexibilidade é um fator de aprendizado e de conscientização.
Foto: NPPans, 2010.

O desejo de contato com agentes externos, muitas vezes, instala-se quando há segurança, quando a pessoa  sente-se confortável consigo mesma, quando sente necessidade de reproduzir a experiência de conviver. Tal desejo pode ser considerado um elemento desencadeador da demanda turística, atendê-lo de forma conveniente e estimulante é um dos pontos chaves do sucesso de uma empresa que decida dedicar-se ao setor de turismo de aventura.
Embora o Turismo de Aventura já tenha sido conceituado, o termo aventura é subjetivo, variando de individuo para individuo. Visitar cavernas, aventurar-se em mergulhos em rios de águas claras, experimentar uma modalidade de esporte radical, cada proposta possui distintos valores, pois suscita emoções e reações em diferentes escalas.
É preciso considerar as expectativas individuais de cada cliente ao mesmo tempo em que promove-se a ampliação do público alvo. A profissionalização dos envolvidos na promoção do turismo de aventura é fundamental. A formalização das empresas que prestam serviços também.
No Brasil, políticas públicas voltadas para o fomento ao turismo tem dedicado especial atenção à geração de possibilidades de inserção no mercado de trabalho, seja pela qualificação de pessoas que de alguma forma já estão envolvidas com o setor de turismo, seja pela formalização de atividades empresariais.
A Lei nº128/2008, criou a figura do Microempreendedor Individual, com vistas a facilitar a legalização de empresas, gestadas por um empresário, e que possuem até um funcionário e atingem renda anual de R$36.000,00. Também conhecida como MEI, a proposta inclui permitir que empresários participem de processos públicos para prestação de serviços, com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.
Outras políticas do Ministério do Turismo incluem a promoção de empresas ligadas ao setor, como por exemplo o programa Empresa Formal Turismo Legal, hospedado em site que dispõe de informações sobre o setor, legislação, estudos e orientações gerais, de forma interativa e em linguagem bastante acessível. A normatização do setor também é um ponto favorável ao desenvolvimento empresarial e pode ser consultada por meio da Lei Geral do Turismo e o Decreto nº5406 (Cadastro Obrigatório).
Foto: NPPans, 2010.
Conduzir o turista ao encontro de si mesmo torna-se mais fácil e agradável quando o promotor atua com conhecimento da base em que opera.