quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Será? Já é!

A preocupação com o futuro parece ser uma constante na educação, quando deveria ser uma variável, considerando a multiplicidade de aspectos físicos, sociais, emocionais e cognitivos que envolvem o desenvolvimento humano.
A ideia de “Preparar” é subjacente ao esforço educativo. Antes estava presente na divisão didática para transmitir os saberes socialmente acumulados pela humanidade. Muitas gerações foram alfabetizadas na escola, a norma culta e as sequencias matemáticas bem organizadas e demarcadas, noções de organização para o trabalho. Nas últimas décadas do século passado uma geração transgrediu os saberes acumulados e começou a explorar conexões, o que a princípio foi identificado como inderdisciplinaridade, depois multidisciplinaridade e, logo a seguir, transdisciplinaridade.
Nas primeiras décadas do século XXI há consenso que a vida humana será socialmente produtiva, visto que a conectividade foi incorporada pelos nativos digitais.
Será? Já é!
Nas primeiras décadas do século temos Ensino Híbrido, Metodologias Ativas, Aprendizagem Significativa, etc. colocando o aluno como sujeito. Mas, agora a ideia de preparar nos remete à estruturas que ainda não estão completamente definidas. Ainda estou me perguntando se já sabemos o que será necessário no futuro. E quando será o futuro para o qual entendemos que a vida será diferente? Será? Já é!

Preparar para quê?
Ah, sim, foi um dado estatístico que chamou a atenção para o fato: cerca de 40% dos estudantes brasileiros não acredita no ensino formal oferecido pelas escolas (1). A primeira dúvida é se o que a escola propõe para preparar para o futuro está em consonância com a ideia de futuro que os alunos enxergam. A segunda dúvida é maior: quem está projetando o futuro? Os jovens ou a escola?
A inclusão do Projeto de Vida, via BNCC, no currículo escolar, atraiu a atenção para o planejamento de propostas para desenvolver competências, habilidades e valores. E parece ser no âmbito de desenvolvimento humano que se encontra a necessidade de acolher variáveis.
José Moran, educador e pesquisador de projetos de inovação, afirma que " a escola e a família são as instituições mais importantes para o desenvolvimento de valores, competências, conhecimentos e projetos."
Até o momento, a variável mais clara, e por isso significativa, é indicada pela percepção da demanda do mercado de trabalho por profissionais em 2030. Geradora de experiências marcantes, a cultura é uma variável de maior importância, pois é transformada coletivamente de forma volátil, célere. 
Em curtos períodos transitamos de um extremo ao outro: do anúncio de eventos que movimentam a economia gerando riqueza, para denúncias de comportamentos coletivos inadequados e prejudiciais. No Carnaval, festa coletiva de máscaras e fantasias, representações culturais e relaxamento das convenções sociais, há vivências que demonstram como a mudança cultural afeta o desenvolvimento da nova geração. As fantasias reproduzem o universo midiático e as brincadeiras de salão somam recreação saudável e instrutiva. O frevo pode ser apresentado como uma dança, uma performance que exige alongamento e treinamento. O samba pode desfilar na avenida de forma espetacular. A Quarta-feira de Cinzas pode ser invadida por denúncias on-line e em tempo real dos ambientalistas. Tudo volátil, célere e transformador. As variáveis pululando: sustentabilidade (com biogliter e confete natural); ostentação, violência e cidadania no mesmo espaço jornalístico; aula de história e geografia em samba-enredo; ócio puro, etc. 
A variável da cultura familiar demanda o acolhimento da diversidade (Carnaval ou Retiro? Rua ou Bloco? Suco ou refrigerante? Pudor ou consciência do corpo? Ciberativismo antes ou depois?). E a dúvida do “preparar para o futuro” pode tornar-se mais simples, com as vivências e experiências próprias de cada idade, em ambientes saudáveis e estimulantes. Convergindo para a escola, enriquecendo-a. De forma que há um diálogo a ser estabelecido à longo prazo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Quick Challenge - Escala

Na aula do dia 18, propus uma atividade : desenhar cartaz, sem palavras, mas cuja imagem transmitisse com clareza a ideia de Segurança no Trabalho.
Após as pesquisas iniciais, os alunos da Turma 06/2019 identificaram imagens que desejavam reproduzir.
A primeira alternativa foi impressão e colagem, descartada porque as dimensões do papel impresso não estavam de acordo com a medida do papel flipchart usado na atividade. Depois de gerar a incerteza entre os recursos disponíveis e os resultados esperados, como mediadora sugeri à um dos alunos que utilizasse escala para reproduzir o desenho. Demostrei o processo básico, desenhando um quadrado sobre o desenho original e outro (quadrado) maior na folha flipchart, reproduzindo o conteúdo do quadrado original. Em pouco tempo, as diversas equipes adotaram a estratégia.

O Quick Challenge (Desafio Rápido) consistiu em compreender o princípio básico da escala e aplicá-lo. Naturalmente os alunos solicitaram régua,  começaram a conversar e disseminar a ideia.
A melhor estratégia foi idealizada e praticada: a projeção pode ser feita colaborativamente, pois  o conteúdo de cada quadrado pode ser reproduzido concomitantemente à outro.

Escala é uma razão entre o que está representado em um desenho 
e o que se tem na realidade.
(Simples assim!)
Imagens: Simone Borba