quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cuitelinho



Uma das músicas mais impressionantes do Brasil é Cuitelinho.
Celebradíssima pela elegância do ponteado de viola e pela letra inusitada.
A primeira audição é claramente marcada pela linguagem do interior do Brasil.

Trata-se de um causo bem contado sobre a ocupação do interior do Brasil. Há muitas analogias e sugestões. Eu sigo a minha. Quando ouço a música é o causo que permeia a memória.
A começar pelo título: Cuitelinho. Cuitelinho é o nome popular de um beija-flor que adeja no Mato Grosso. Há imposições de interpretações para o sentido simbólico de cuitelinho, uma delas é de que seja a personificação do viajante que esvoaça sem encontrar pousada. Mas cuitelinho também pode ser interpretado como sendo a delicadeza, tão bem marcada pela moda de viola, basta ouvir Pena Branca entoando o causo.
A fala e o discurso são do mineiro que avança no sentido leste-oeste, deixando para trás a "parentaia" e desembarcando "onde as onda se espaia", não pelo porto, mas pela ferrovia que chegava a Corumbá, antes Mato Grosso. Situo em Corumbá pela relação com a proximidade com o Forte Coimbra e com Bela Vista, áreas de conflito, ao qual se une a história de Ladário,  "Lá tinha revolução, enfrentei forte bataia", a clara citação a Guerra da Triplice Aliança, na disputada fronteira com o Paraguai. Não foi a toa que Corumbá e Ladário permaneceram com suas fronteiras na margem ocidental do Rio Paraguai.
Ainda assim, não é difícil conferir alusão ao conflito entre permanecer e colonizar ou voltar para a terra mineira. Entre lidar com as dificuldades de desmatar um ecossistema cheio de peculiaridades "o cuitelinho não gosta, que botão de rosa caia" ou  fixar raízes, aceitar a saudade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

FILME: "Por 30 dinheiros"


Filme "Por 30 dinheiros" - Programadora Brasil
Apresentação SESC - 08/10/2012

Análise pela aluna KARLA RAPHAELA BENTO

O filme "Por 30  dinheiros" de Vania Perazzo Barbosa aborda de forma cômica as relações de trabalho e de convivência do nordestino.
"Por 30 dinheiros" traz as relações de trabalho informal,sem direitos trabalhistas concedidos aos empregados e sem impostos pagos pelo empregador; aborda também a falta de respeito e de consciência para com o trabalhador.
O filme satiriza as relações trabalhistas mais comuns no Nordeste brasileiro, transformando em comédia a tragédia de um povo com poucas condições, mas trazendo isso de forma reflexiva e contrutiva.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Conselhos de José Reis

José Reis publicou em 1962 uma obra, referenciada por Rita V. Costa, que destaca alguns conselhos:
  • Incentivar a dúvida e a curiosidade
"Ciência é, no fundo, originalidade, é iniciativa de investigar.”
  • Incutir a ideia de que ciência é processo
“Menos que o simples propagar de um corpo estático de conhecimento – que é o que entre nós se costuma fazer, e ainda assim mal – interessa incutir no aluno, pela experiência, a ideia de ciência como ‘processo’.”
  • Permitir a aproximação com a natureza
“[...] O que na verdade importa não é conhecer exemplos – não é citar a sapucaia, em vez do carvalho, que é europeu; ou a onça em lugar do tigre; ou um minério brasileiro em lugar do alemão –, mas aproximar o estudante da natureza e fazer com que ele aprenda, naturalmente, a usar o método científico na solução dos problemas...”
  • Tornar natural o uso do método científico na solução de problemas
"[...] Aprender a usar o método científico é aplicá-lo. Não apenas ouvir o mestre explicar em que ele consiste.”
  • Apresentar a ciência que interessa à formação do homem, à estrutura de seu pensamento
"Muito mais sentido tem em sua execução familiarizar com o hábito de pensar cientificamente do que sobrecarregar com ‘ideias inertes’, isto é, com fatos cujo sentido geral ele [o ensino] não penetrou.”
  • Partir da experiência diária, do fato, do concreto, dos fenômenos locais
“Não adiantar [ensinar] nenhum conceito sem antes haver chegado a ele pela experiência.”
  • Usar linguagem despida de termos técnicos, despojada de solenidades
“O uso de terminologia rigorosamente específica e técnica é para especialista. Insistir nela, no ensino elementar, é favorecer a tendência para confundir o nome com o conhecimento da coisa.”

 “O que verdadeiramente importa é conhecer as coisas e não as palavras com que tantas vezes douramos a própria ignorância.”

"Não se deve permitir que o excesso de precisão prejudique a naturalidade do ensino."

“A linguagem pode parecer até imprecisa, mas precisa ser viva.” 
  • Não pecar por excesso de pormenores
“[...] O professor precisa ter a coragem de ser simples, de suprimir a matéria que não lhe pareça fundamental.”

“[...] Ensinar pouco não é ensinar mal, e nem ensinar muito é ensinar bem. O que importa é ensinar bem; e ensinar bem, num determinado momento do aprendizado, é ensinar precisamente aquele quantum que o aluno não se sente disposto a esquecer  passado o exame.” 
  • Ensinar a admirar-se diante das coisas
"Quanta coisa se pode observar diretamente com os olhos.”
 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012






Ostra Feliz Não Faz Pérola


"Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas. Sem defesas - são animais mansos - seriam uma presa fácil dos predadores.

Para que isso não acontecesse a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.

Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas, saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário... Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste... As ostras felizes riam dela e diziam: "Ela não sai da sua depressão..." Não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.

O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho - por causa da dor que o grão de areia lhe causava.

Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-a para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras. Deliciando-se com as ostras, de repente seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade; era uma pérola, uma linda pérola. Apensa a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz..."

Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras,e vale para nós, seres humanos.

As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver. Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.


Rubem Alves


Quarto de Badulaques LXXV

Correio Popular 12/06/05

domingo, 15 de abril de 2012

Projeto Boi Verde-Amarelo


O consumo de carne bovina aumentou consideravelmente. O que nos leva a refletir sobre a sustentabilidade, já que a demanda tende a pressionar a produção.
O Projeto Boi Verde Amarelo é uma das propostas de pesquisadores para a sustentabilidade.
Diversos são os motivos:
- recuparação de áreas degradadas e preservação da biodiversidade;
- manutenção de processos menos nocivos para a criação de rebanhos;
- atendimento da demanda com produtos de origem confiável.

Segundo o site Observatório do Clima:

"O manejo de solos e a recuperação de antigas pastagens poderiam evitar a dinâmica de esgotamento de solos e abertura de novas áreas de produção, assim como atividades de caráter agrosilvopastoril, que combinam o cultivo de gêneros agrícolas de ciclo curto e médio com a produção de animais, poderiam ajudar na manutenção do equilíbrio ecossistêmico."

Vale lembrar que boi verde é uma solução muito semelhante à Boi Orgânico, mas há diferenças.

Boi orgânico é o termo usado para designar o gado criado em sistemas agroecológicos, onde não se emprega agrotóxicos no pasto, nem adubação química - a fertilização do pasto é feita com o esterco dos animais. O chamado boi orgânico também é tratado com medicamentos homeopáticos, a exceção da vacina contra febre aftosa, que é obrigatória por lei. É permitido o uso de sal mineral e inseminação artificial. A única semelhança é o uso do pasto.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fabula sabio e a Vaquinha



Memo Aula Origem dos Açougues

O ser humano sempre teve o hábito de alimentar-se da carne pois é onívoro, ou seja pode consumir tanto produtos de origem vegetal como animal. Na pré-história, com a descoberta do fogo e de instrumentos o ser humano deixou de ser coletor para ser, também,  caçador, utilizando animais na sua alimentação. Carne, leite e ovos são as fontes básicas de proteína para o homem em função do alto valor biológico das mesmas.
O criação de animais trouxe, para o ser humano, maiores possibilidades de abastecimento, entretanto, no passado, havia a questão da conservação dos alimentos.
A defumação, com utilização de ervas e temperos,  foi uma das primeiras possibilidades de conservação, seguida da salga e da conservação em gordura (banha) animal, de forma que porções de carne animal podiam ser transportadas em longas distâncias.
O surgimento do comércio favoreceu o desenvolvimento de técnicas de abate e corte, de conservação e transporte. Tendo prevalecido, no início, o fornecimento de carnes de caça e animais de pequeno porte. A medida que as feiras na Europa, durante a Idade Média, tornavam-se maiores, começaram a surgir pessoas especializadas no abastecimento de carne animal.
Conforme notação da Wikipédia, a palavra açougue vem do árabe "as-soq", que significa mercado ou feira e foi usada para designar as casas de venda de carne. O primeiro registro do uso dessa palavra na língua portuguesa data de 1254, na forma "azougue". Pouco depois o vocábulo evoluiu para "aaçougue", para então finalmente passar para o atual açougue. Os açougues medievais eram localizados em casas familiares e o trabalho era quase artesanal.
A utilização da refrigeração era bastante limitada, pois era preciso transportar gelo natural em blocos para utilização em câmaras, os primeiros motores surgiram no final do século 18. Somente no início do século passado foi possível criar um modelo doméstico, que evoluiu para os refrigeradores e freezers atuais.
Por razões econômicas o aproveitamento integral do animal abatido promoveu a seleção de partes da carne, de forma que há as carnes de Primeira, carnes de Segunda e Vísceras (intestino e outros órgãos).
Ao longo da formação dos hábitos alimentares, o consumo de carne adquiriu particularidades regionais. De acordo com a disponibilidade dos tipos de carne, há diversos tipos de consumo: Carnes vermelhas, carnes brancas, carnes nobres, carnes exóticas, carnes maturadas, carne de sol, carne de charque.

Lembre-se caçar é proibido por lei, no Brasil, salvo questões de sobrevivência.


sábado, 31 de março de 2012

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

21 de maio é Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento
A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 2001, mesmo ano em que foi feita a Declaração Universal da Unesco sobre a Diversidade Cultural. Em 2005, a Assembleia Geral da Organização adotou a Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.
O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento sugere reflexão sobre as formas de participar da promoção da tolerância para com as diversas manifestações culturais de todos os países.

Destaques de DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL
A UNESCO reafirma seu compromisso com a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais proclamadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos (...) e, também, que a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças; além de considerar que o processo de globalização, apesar de constituir um desafio para a diversidade cultural, cria condições de um diálogo renovado entre as culturas e as civilizações.
A Declaração possui 12 artigos em que são abordados:
IDENTIDADE, DIVERSIDADE E PLURALISMO - A diversidade cultural se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade, e por isso constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em beneficio das gerações presentes e futuras. (Artigo 1); torna-se indispensável garantir uma interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como sua vontade de conviver.(Artigo 2) e amplia as possibilidades de escolha que se oferecem a todos; é uma das fontes do desenvolvimento (Artigo 3).
DIVERSIDADE CULTURAL E DIREITOS HUMANOS - A defesa da diversidade cultural implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais (Artigo 4) considerando que toda pessoa tem direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeite plenamente sua identidade cultural (Artigo 5) deve-se cuidar para que todas as culturas possam se expressar e se fazer conhecidas (Artigo 6).
DIVERSIDADE CULTURAL E CRIATIVIDADE - O patrimônio cultural deve ser preservado, valorizado e transmitido às gerações futuras como testemunho da experiência e das aspirações humanas, a fim de nutrir a criatividade em toda sua diversidade e estabelecer um verdadeiro diálogo entre as culturas (Artigo 7); os bens e serviços culturais, devido à diversidade criativa, não devem ser considerados como mercadorias ou bens de consumo (Artigo 8) e deve-se criar condições propícias para a produção e a difusão de bens e serviços culturais diversificados (Artigo 9).
DIVERSIDADE CULTURAL E SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL - é necessário reforçar a cooperação e a solidariedade internacionais para intensificar as capacidades de criação e difusão (Artigo 10); estabelecer parcerias visando garantir a preservação e promoção da diversidade cultural, condição de um desenvolvimento humano sustentável (Artigo 11).
O Artigo 12 define a função e as atribuições da UNESCO.
 SUGESTÃO: Visita ao IFRN - Campus Rio Branco para conhecer as exposição de Brinquedos do Rio Grande do Norte.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O Rato

Os ratos são considerados pragas urbanas. Mas, como todo ser vivo, tem  um  ciclo de vida definido por funções biológicas: nascer, nutrir-se, reproduzir-se, constituem  aspectos essenciais para a permanência do indivíduo em  um  ambiente.


Para Camila, Luana, Francisco, Angela, Raphael  ... e , também, para os outros!


O uso de controle químico cria problemas em relação à contaminação ambiental, conduzindo para uma outra variável: a adoção de medidas preventivas.
Ainda não inventaram o anticoncepcional para ratos, mas os animais, dados os seus instintos primários, possuem controles internos que faz com que evitem  a reprodução enquanto o ambiente não é favorável. A falta de nutrientes reduz as possibilidades de manter gestações saudáveis, a prole enfraquece. Portanto reduzir a oferta de alimentos e nutrientes, a oferta de água, contribuem para reduzir a presença de indivíduos de qualquer espécies (ratos, baratas, aranhas, etc).
Outra forma eficaz de combater as pragas urbanas é reduzir as possibilidades de abrigo e tráfego. Manter os espaços limpos, sem buracos e frestas, dificulta o tráfego de pequenos animais. Quanto aos abrigos, recomenda-se identificar e reconhecer as formas de constituição de ninhos e tocas.

Em grandes cidades, o problema se avulta, pressionando os governos locais, entretanto é preciso colaborar desde o núcleo familiar.

sábado, 3 de março de 2012

A ostra e o vento

"A ostra e o vento" é um filme surpreendente. O conflito vai sendo definido através das lembranças de Daniel, entremeadas de recortes das lembranças de José e Marcela, pai e filha.

Filmado em 1997, possui uma linguagem metafórica e um roteiro que mantém o suspense até as cenas finais. A combinação das tomadas em pontos diferentes do litoral brasileiro constitue um belo cenário para expôr o insulamento dos faroleiros de décadas atrás. Profissão que desaparece à medida que o desenvolvimento tecnológico permite o acesso remoto ao controle dos faróis.



Também vale a pena conferir a interpretação de Ná Ozzetti acompanhada por André Mehmari, da composição de Chico Buarque.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A metáfora do hipertexto, Pierre Lévy

O que é a significação? em que consiste o ato de atribuir sentido?

A inscrição rupestre, os primeiros sinais de ocupação humana, foi decodificado ao longo dos séculos com a visão sistêmica de especialistas nascidos milhares de anos depois do registro. Foram necessários estudos de paleontologia, biologia, sociologia, neurologia (pois até o tamanho do crânio conta!), para traçar um provável entendimento da imagem que reteve significado.
As pinturas nas cavernas possuíam um significado coletivo, mas eram individualmente interpretadas e transferidas para a atividade prática; o ser humano interpretava-as a partir de seu conhecimentos em usos, práticas sociais e instrumentos, para torná-lo uma ação premeditada e consciente.
Observe-se também que cada "signo"/ícone é específico na cultura em que é compreendido, (nas palavras de Hyder). E provavelmente estamos reconstruindo constantemente nossa linguagem. Não só o uso de signos, mas a identificação e a atribuição de sentido é construída coletivamente.
Pierre Lévy esclarece:
" A metáfora do hipertexto dá conta da estrutura indefinidamente recursiva do sentido, pois já que ele conecta palavras e frases cujos significados remetem-se uns aos outros, dialogam e ecoam mutuamente para além da linearidade do discurso, um texto já é sempre um hipertexto, uma rede de associações." (página 73)

Cavernas no Rio Grande do Norte

Espeleologia! O estado tem 594 cavernas mapeadas! Vale a pena conferir!

Conheça a Caverna do Trapiá, a maior do Rio Grande do Norte. Com mais de dois quilômetros de comprimento, a caverna abriga tesouros naturais como fósseis e formações rochosas raras na região. Pesquisadores da região também procuram troglóbios, animais que só existem em cavernas e, por viverem na escuridão, são cegos e sem cor. Na cidade de Felipe Guerra, conheça o Lajedo do Rosário, um grande bloco de calcário com até 180 metros de profundidade e muito recortado. A fauna em cavernas como essas é muito variada.

  Confira a Parte 2
Inclue imagens do Lajedo do Rosário!
Gruta de Crótis!
Espeleotemas! Estalagtites! Helictites! Flores de Gipsitas! Cortinas! Micro travertinos!


Outras referências:
Conheça a caverna Furna Feia, a segunda maior do RN 





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ideias de Pierre Lévy sobre AS TECNOLOGIAS DA INTELIGÊNCIA

Ao tratar de Os Três Tempos do Espírito, Lévy aborda as questões relativas à palavra e à memória. O comentário inicial promove a reflexão sobre os suportes da linguagem humana, argumentando que o desenvolvimento da linguagem e de técnicas de representações servem para produzir e modular o tempo.

José Saramago, no documentário Língua Vidas em Português, recria a discussão sobre a construção da linguagem. Embora em momentos, e com objetivos distintos, as duas obras contribuem para o esclarecimento da ideia de que a linguagem que dá suporte à comunicação entre os seres é  construída coletivamente, ou seja cada som que evolue para palavra complexa está cercado de significados reconhecidos socialmente e aceitos mutuamente.
Em outro trecho do documentário, José Saramago aponta:

Nós temos sempre a necessidade de pertencer à alguma coisa e parece que a liberdade plena seria não pertencer à coisa nenhuma, mas como é que se pode não pertencer à língua que se aprendeu, à língua com que se comunica, à língua com que ... e nesse caso, a língua com que se escreve?
Se o leitor  o leitor de livros, aquele que gosta de ler – não se limitar àquilo que se faz agora, se ele andar para trás, se ele começar do princípio, se ele pode ler os primitivos e os grandes cronistas e depois os grandes poetas, a língua passa a ser algo mais que mero intrumento de comunicação. Transforma-se numa, digamos numa mina inesgotável de beleza e de valor. Pensemos que são, no nosso caso, oito séculos de pessoas a falar português e a escrever português. Muita coisa se perdeu evidentemente, mas aquilo que ficou, aquilo que sobrou, aquilo que os arquivos e as bibliotecas guardam, dava para passar lá a vida inteira, mergulhado na língua portuguesa. (José Saramago)

A linguagem iconográfica, segue o mesmo caminho, e é construída no momento em que nos dedicamos a nos apropriar do sentido coletivo e a reproduzimos em meios materiais. Na atualidade, a linguagem iconográfica e as demais formas de comunicação estão sendo construídas coletivamente, com contribuições pulverizadas em diversos atores.
A função da educação e da instrução são deslocadas para novos patamares. A informação, além de acessível, tornou-se volátil e efemera, a questão que se coloca aos educadores é por quê e para quê instruir e educar.