José Saramago, no documentário Língua Vidas em Português, recria a discussão sobre a construção da linguagem. Embora em momentos, e com objetivos distintos, as duas obras contribuem para o esclarecimento da ideia de que a linguagem que dá suporte à comunicação entre os seres é construída coletivamente, ou seja cada som que evolue para palavra complexa está cercado de significados reconhecidos socialmente e aceitos mutuamente.
Em outro trecho do documentário, José Saramago aponta:
Nós temos sempre a necessidade de pertencer à alguma coisa e parece que a liberdade plena seria não pertencer à coisa nenhuma, mas como é que se pode não pertencer à língua que se aprendeu, à língua com que se comunica, à língua com que ... e nesse caso, a língua com que se escreve?
Se o leitor – o leitor de livros, aquele que
gosta de ler – não se limitar àquilo que se faz agora, se ele andar para trás, se ele começar do princípio, se ele pode ler os primitivos e os grandes cronistas e depois os grandes poetas, a língua passa a ser algo mais que mero intrumento de comunicação. Transforma-se numa, digamos numa mina inesgotável de beleza e de valor. Pensemos que são, no nosso caso, oito séculos de pessoas a falar português e a escrever português. Muita coisa se perdeu evidentemente, mas aquilo que ficou, aquilo que sobrou, aquilo que os arquivos e as bibliotecas guardam, dava para passar lá a vida inteira, mergulhado na língua portuguesa. (José Saramago)
A linguagem iconográfica, segue o mesmo caminho, e é construída no momento em que nos dedicamos a nos apropriar do sentido coletivo e a reproduzimos em meios materiais. Na atualidade, a linguagem iconográfica e as demais formas de comunicação estão sendo construídas coletivamente, com contribuições pulverizadas em diversos atores.
A função da educação e da instrução são deslocadas para novos patamares. A informação, além de acessível, tornou-se volátil e efemera, a questão que se coloca aos educadores é por quê e para quê instruir e educar.
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